domingo, 17 de outubro de 2010

Na janela da alma tem café, msg,sonhos e interrogações.


De repente foi como se tudo tivesse se transformado em ar. Acordei seis horas depois na mesma posição. Em pé olhando para as estrelas, agora já é sol, pela janela estreita daquele lugar. Não me recordo de nada. Só do silêncio. Do silêncio insípido.
Recebi ontem um SMS. Ler? Só me dei conta que precisava hoje. É uma em branco quase carta, me chamando pra lá. Ao guardá-la me deparei com outras onze com a mesma fonte, tamanho e remetente. Agora são doze. Nunca estou onde meus pés estão. Acho que chegou a hora de ir. De partir.
Minhas malas por incrível que pareça já estavam prontas. Só foi preciso retirar a poeira que havia se aculado sobre a primeira da pilha de três no canto escuro.
De banho tomado, servi duas xcaras de amargo e quente café. Tomei. A outra xícara permaneceu intacta.
Andei até outro compartimento. Peguei meu espelho e minhas malas. Decisão tomada. Voltando ao primeiro compartimento escontrei a outra chicara também tomada.... Pensei em estar pequena demais para aquele lugar. Cercada pelas malas, nem me lembrava a quanto tempo ali estava. Lembro do frio e que nunca as malas desfiz. Fechei a porta atrás de mim. Tranquei-a... A cidade ainda dormia. Passei por praças, mas não encontrei flores. Sementes talvez.
Sempre à esquerda, virei a esquina e joguei ali as chaves.
O sino no alto da torre batia as horas. Horas inexatas. Enquanto apressava os passos, ouvia a cidade acordar sem ninguém. Senti estar atrassada não estando, e isso não me era estranho.
Tantas coisas aconteceram, passarm e nem se quer eu vi. Hoje sei que me atrassei no tempo que passou a não existir.
Cheguei a tempo. A estação vazia não parecia tão sombria quanto das outras vezes que ali tinha estado pela primeira vez. O motorista tomou das minhas mãos a passagem. Conferiu a hora, o destino, o meu nome e a causa da partida. Num gesto delicado, acho que de compaixão, me apontou a poltrona.
O trem partiu e no susto não pude ver seu rosto, mas sei que havia um rosto, pelo menos naquele. Um rosto familiar. Pela janela estreita olhei a estação. Estava vaizia, silenciosa. E o resto se fora, como no ar. Senti a velocida de e um som ecoou. Sorri. Estava mudando.
As outras poltronas estavam vazias. O meu coração gelou. Pensei em desistir, fugir, correr dali... Levantei e corri pelo estriti corredor. Era tarde. AS luzes, as sombras, as lembraças, as cores, as árvores, já passavam velozmente pelas janelas... E pelos meus olhos fechados.
Voltei ao corredor e ele pareceu maior. Um labirinto como no coração. Não pudi mais encontrar minha poltrona. Me acordei em outro que não tinha numeração. Sentei. Senti minha mãos vazias.
Havia deixado as malas na estação.
Recostei a cabeça no vidro da janela e olhei meu relógio, sem números, sem horas. Havia parado.
Apenas escuridão. Não via as horas e sim o tempo.
Acordei oito horas depois na mesma posição olhando o relógio. Finalmente havia compreendido o tempo. O tempo relativo.
Foi a viagem mais rápida que já tinha feito. Talvez por ser a primeira e a única. Cheguei.
O movimento cessou. A porta foi aberta. N o corredor haviam muitas pessoas, tantas, que não me recordo do rosto de nenhuma. Esperei todas descerem e só então pisei em terra firme.
Estava agora eu ali, onde antes era lá, sem aomenos ter enjoado.
Um pálido gentil homem ofereceu sua mão para que eu não caísse. Ele conferiu minha passagem e informou que aquele era o lugar.
Sem passagem de volta e sem malas, esforcei-me para reconhecer o lugar na esperança de ainda lembrar o caminho. Não havia lugar pra bagagens...
Por um multidão de rostos, sombras, caminhos... Meus intintos me levaram. Quantos e nenhum...
Logo pude ver no alto da torre, as horas exatas. hora de chegar.
Sempre a direita, dobrei a primeira esquina. Passei pela praça e havia flores, mas não sementes. E ali diante a mim estava ela. A porta. Atrás demim tudo aquilo... E mesmo assim, ainda ali, aquela porta.
E eu sem as chaves.
Com quatro toques, sim, quatro toques dos meus dedos contra a porta me fizeram ver que eu tinhas minhas novas chaves.
Porque estava eu batendo, se já estava dentro? Se eu continuasse batendo, certamente alguém lá de fora entraria.
Só então me lembrei que precisava mostrar aquele SMS. O SMS que tinha esquecido nas minhas mãos, entre meus dedos. Deixei o celular sobre a mesa e me virei para olhar o espelho. Tinha acabado de chegar. De frente para o espelho vi minhas costas.
Um silêncio. Ouvi passos pelo corredor. Quando procurei o celular não estava mais sobra a mesa.
Desde que cheguei ali, estava dois dias mais velha... Ainda posso ouvir passos no corredor. O chuveiro agora está sendo ligado. Àgua fria.. muito fria... quase posso sentir.. Pingos. Chuva de pingos.
E o celular? Não mais, simplesmente,não estava lá. No lugar, duas xícaras brancas. Café preto. A boca adocicada. E o café.. amargo.
Uma das xícaras já estava tomada. Restou-me a outra só agora tomar. Sozinha. As duas ficaram vazias. Só senti o perfume do banho pela casa. Ainda posso ouvir ... As malas sendo feitas, mas não posso ver. Sinto, algo vai partir. Decisão tomada. Está tomada.
Minhas costas teimam em ocultar meu rosto no espelho. Viro-me e não vejo nada, mas ouço. Ouço a chave. Ouço a porta sendo fechada por fora. E agora silêncio. Silêncio...
As chaves! As chaves! As chaves!... As chaves foram jogadas fora. As malas partem.... Eu chorei.
Recuei. Não sei se me senti triste por ali estar. Ali entrar. Só sei que senti das cores a nescessidade.
Das cores das praças por qual minha alma vagou.
Vi o interior. O interior inteiro de onde estava. Vi um corredor. Não pudi contar a distância. Quanto mais andava mais distante ficava.
Pssei correndo os ultimos centímetros e me deparei com o lugar... No centro um relógio negro.
Sem ponteiros, sem horas, sem tempo...
O lugar vazio. as malas não estavam mais lá. Só SMSs. Os recados que eu mesma tinha escrito. Enviado. Todos eles ali. Repletas de lembranças e saudades... Repletas... Todas elas.. Agora doze!
E assim, de repente, como se tudo tivesse se transformado em ar.. Em neblina. Acordei seis horas depois na mesma posição. Não me lembro de nada. Só do silêncio. Do silêncio insípido... E das xícaras vazias, das malas.. Da falta que me faz minhas bagagens. Que me fazem meus amigos.. Que me faz!
E eu sem as chaves...
...
Batem na porta lá fora. Quatro toques. Lá fora,escuridão!

5 comentários:

Ví Sales disse...

Quantas bagagens já se foram deixadas para trás? quantas xícaras de café já foram tomadas por outros e não percebemos, aquela presença ali, as vezes pedindo um pouco de atenção...(perturbador teu texto....gostei)

priscila56 disse...

eu hein!!
entaum...
vi isso so acontece pq insistimos em olhar pra tras!!
nos da a impressão q é melhor q o presente!!

# _LiTtSsHa_# disse...

Frustante a história sempre se repetir né? Pior que isso é a gente ouvi-la, senti-la e mesmo assim faze-la novamente. E por isso que me dei conta que não quero mais saber que horas são!

Ví Sales disse...

o passado é muito chato, vc já abe o que vai acontecer..
(Frase de Mariska)

trici disse...

apesar de tudo, prende a gente.